• Será que a Psicanálise é para você?
    Por Alenne Namba

     

    Você sabe se é um bom candidato para o tratamento psicanalítico?

    Pode ser que você já tenha feito terapia pelo menos alguma vez na sua vida. Pode ser que você seja totalmente iniciante no assunto. A questão é que nem todo mundo é um bom candidato para um processo psicanalítico. E por que não?

    Alguns pacientes estão preocupados unicamente com o alívio dos sintomas. Eles só desejam se livrar do que está acontecendo agora, seja uma dor de cabeça recorrente, uma crise de ansiedade, uma dificuldade para dormir, uma depressão… Para esses pacientes sugiro outros tipos de abordagem terapêutica, não a psicanálise.

    E pergunto novamente: por quê não?

    Porque na Psicanálise, nós olhamos para todos esses sintomas que citei acima (e tantos outros) como manifestações do inconsciente por meio do canal “corpo”. O que não pode ser expresso através da linguagem, o inconsciente dá um jeito de encontrar no nosso organismo uma forma de expressão. Isso pode se dar por diversos caminhos como uma queixa física, comportamental ou psicossomática.

    “Eu tenho dificuldade para dormir.”

    “Eu tenho dificuldade de me concentrar.”

    “Eu tenho dificuldade de me relacionar.”

    A Psicanálise entrará no assunto que o paciente trouxer como se entra numa viagem exploratória. O paciente precisa estar preparado para assumir a responsabilidade pelo que está acontecendo em seu corpo e, por meio dessa autoexploração, escutar a voz do inconsciente.

    Nós não tentamos, no tratamento psicanalítico, encontrar uma solução fora do problema, como aqueles que simplesmente recorrem a medicações. Aqui nós buscamos encontrar as respostas dentro do próprio paciente. Por isso costumo avisá-los: não sou sua conselheira, você está aqui para conseguir pensar por si próprio, afinal só você passou por suas experiências e vivências.

    Ao final, o que se espera do paciente é que ele, de posse da responsabilidade por seu estado psicológico, tenha maior controle sobre suas decisões. E que essas decisões sejam tomadas conscientemente e não mais inconscientemente. A partir daí o paciente é capaz de optar, de escolher. E isso é libertador.

    Aqueles sintomas que originalmente trouxeram o paciente para o tratamento geralmente desaparecem ao longo do processo. Isso acontece porque o indivíduo passa a não ter mais necessidade de descarregá-lo ao tomar consciência dele.

    Posso dar um exemplo real: o paciente chega queixando-se de incontinência urinária crônica. Ele não chega a urinar nas calças, mas simplesmente precisa ir ao banheiro mais de 20 vezes ao dia. Isso o incomoda profundamente. Durante o tratamento, percebe-se que o paciente necessita colocar para fora muitos conteúdos que retém para si próprio. O analista questiona o que é que o paciente precisa tanto expressar e não consegue; qual seria essa dificuldade ou medo de colocar esse “algo” para fora. Pouco a pouco o sintoma desaparece.

    No momento em que o paciente passa a pensar sobre o conteúdo e decide enfrentá-lo, o inconsciente não necessita mais utilizar aquela estratégia defensiva como solução para o problema.

    Então, para que o analista consiga ouvir bem o que o paciente tem a dizer, seja por meio da fala, seja por meio do comportamento, do corpo ou do conteúdo psicossomático, é preciso que o analista tenha seu próprio analista. Um bom analista também faz análise. E essa é uma das premissas de Freud. Não há melhor conhecimento teórico e prático para um analista do que aquele que ele obtém a partir de sua própria análise. É preciso que o analista conheça a fala de seu próprio inconsciente.

    Por fim, o que o paciente pode esperar como resultado de um tratamento psicanalítico?

    A resposta ideal seria: que ele deseje saber o que está dentro de si mesmo, como esse conteúdo interno faz com que ele seja do jeito que é, a fim de entender as origens dos sintomas.

    E para atingir isso, meu caro, não são 10 nem 20 sessões que bastarão. Essa é uma viagem de exploração, não uma viagem de final de semana.

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