• Todos morrem, mas nem todo mundo vive
    Por Alenne Namba

    Uma vez ouvi uma frase interessante:

    “Fulano morreu aos 20, mas foi enterrado aos 80.”

    Demorei a entender, mas percebi que esta é uma frase muito, muito verdadeira. Em meus anos de atendimento, e em minha própria experiência de vida, quantas vezes percebi uma inércia acontecendo dia após dia, ano após ano. O tempo passa, mas a pessoa está inerte, desconectada de si. Ou seja, o fulano que morreu aos 20 não morreu fisicamente, mas deixou de viver seus sonhos, de viver sua vida, dos 20 aos 80.

    Aqui em Brasília, temos uma piada que diz o seguinte: a pessoa nasce, estuda, forma-se na faculdade, passa num concurso público, casa-se, compra um apartamento na cidade de Águas Claras (para quem não conhece, trata-se de uma cidade em expansão cheia de jovens casais).

    E, é verdade. Essa é a trajetória de muitos jovens por aqui. Mas ela não garante, de forma alguma, um sentimento de felicidade. Ao contrário, é comum o surgimento de questionamentos sobre essa linha quase que fatal para que a pessoa seja considerada bem-sucedida.

    Já ouvi muito:

    “Mas, Alenne, tenho feito tudo certo… Por que não me sinto feliz?”

    Talvez fazer tudo certo lhe traga segurança, mas não necessariamente felicidade. Quem disse que estar seguro é estar feliz?

    Você tem um trabalho estável, com um salário razoável, um teto para lhe proteger, uma boa família, viaja de vez em quando… E quantos sonhos você deixou para trás? De quantas experiências que poderiam ser surpreendentes você abriu mão? Onde foi que você perdeu sua paixão pela vida?

    Eu sei que resolvi abrir o primeiro artigo do ano com um conteúdo um pouco pesado. Mas acredito de verdade que cada início de ano deveria nos encher de esperança. E essa é a ideia aqui. Que este seja o momento de fazer esse tipo de reflexão.

    Quando você voltará a se conectar consigo mesmo? Quando será fiel à sua essência? Quando abandonará a prisão em que se encontra, já que tudo o que faz é esperar o reconhecimento externo?

    Não estou aqui afirmando que devemos viver nossa vida sem nos importarmos com os outros. Está longe disso. Entretanto, muitos se prendem nessa agonia de viver pelos outros, fazendo escolhas que não são as próprias escolhas, mas sim as escolhas de alguém ou as imposições sociais.

    Não sei se já leu sobre uma enfermeira australiana, chamada Bronnie Ware, que pesquisou sobre os maiores arrependimentos de doentes terminais. Olha só os arrependimentos mais comuns relatados em seu blog:

    1. Queria ter aproveitado a vida do meu jeito e não da forma que os outros queriam
    2. Queria não ter trabalhado tanto
    3. Queria ter falado mais sobre meus sentimentos
    4. Não queria ter perdido contato com meus amigos
    5. Queria ter me permitido ser feliz

     

    Você se identificou com algum?

    Pense com carinho sobre isso.

    Estamos no início do ano, essa é uma boa hora para refletir sobre sua caminhada até aqui. Suas escolhas no passado foram importantes, para o bem ou para o mal. Mas para avançar para o futuro, é importante perceber que só se vive no presente.

    Se você vive ansioso, então está com a cabeça no futuro. Se você vive com sentimento de culpa, então está com a cabeça no passado. Mas só se vive de verdade no aqui e agora. O resto é ilusão.

    Sentir a felicidade no aqui e agora é uma questão de autoconhecimento, de compreensão de sua vida. O medo de mudar, a falsa ideia de que está tudo bem quando no fundo você está insatisfeito, tudo isso está transformando você naquele personagem lá do início do artigo: fulano morreu aos 20, mas foi enterrado aos 80.

    Imagino que não seja isso que imagina para si do fundo do seu coração. Resgate-se. Há tempo.

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  • 2016 está terminando. Você fez essas 4 coisas?
    Por Alenne Namba

    Se você baixou o eBook Plano 2017 sabe que sou entusiasta de se fazer uma retrospectiva sobre suas realizações e sentimentos no ano que passou. Eu acredito que à medida em que chegamos ao final de mais um ano, é hora de olhar para trás e fazer seu próprio inventário pessoal.

    Percebo que aquele que realmente está comprometido com seu amadurecimento permanece refletindo sobre o que anda dando certo ou não em sua vida e é por isso que resolvi selecionar 4 perguntas essenciais para você se fazer nesta época do ano. Elas irão ajudá-lo a avaliar em que pé você esteve em 2016 e como poderá experimentar 2017 de forma mais rica ainda.

    # 1
    Você olhou a vida mais positivamente?

    Quem conhece meu trabalho sabe que não acredito na simplicidade do pensamento positivo por si só. É preciso muito mais para fazer a vida andar para frente. Mas não posso negar que olhar a vida com mais entusiasmo pode (também) proporcionar que você viva dias mais felizes.

    Esse olhar mais terno, mais gentil e até mais construtivo faz com que você aprenda a enxergar as oportunidades em situações que, até então, pareciam ruins. E, a partir daí, pode lidar melhor com as situações que surgem em sua vida e se recuperar mais rapidamente dos contratempos.

    Eu sei que algumas pessoas parecem ser naturalmente mais positivas do que outras, mas nada impede que agora crescidos nós consigamos desenvolver habilidades que hoje estão adormecidas em nós. Realmente acredito que qualquer pessoa pode conseguir lidar melhor com os deslizes que comete ou com as peças que a vida nos prega, mesmo na pior das situações.

    Se você não conseguiu olhar 2016 com mais positividade, o que penso realmente ter sido bem difícil com o viés político que se apresentou para nós brasileiros, não perca as esperanças. O ano de 2017 está chegando aí e, pelo menos no que diz respeito à sua vida pessoal, você pode sim exercitar essa mentalidade mais entusiasmada e feliz.

    # 2
    Você aprendeu mais sobre seus pontos fortes e fracos?

    Eu sei que é sempre um desafio dar conta de olhar nossa luz e nossa sombra. Muitas vezes a sombra é tão assustadora que negamos fazer esse exercício. Mas esse é um desafio necessário.

    É por isso que vale a pena tomar um tempinho para avaliar em que você brilha e em que áreas você se encontra apagado (e que pode passar a se iluminar).

    É claro que eu também acredito que não podemos (nem devemos) buscar a perfeição. Não seremos excelentes em tudo. E você nem precisa desenvolver habilidades que não fazem a menor diferença para você. Quando falo em iluminar aquilo que está apagado, ou seja, melhorar seus pontos fracos, estou falando daquilo que você deseja melhorar.

    Feita esta ressalva, responda-se o que você poderia ter feito de forma diferente em 2016?

    O eBook Plano 2017 tem exatamente este propósito: permitir que você reflita sobre suas ações em 2016 para fazer um 2017 bem melhor.

    Repito: ninguém é perfeito e nem precisa ser. Mas você pode se ajudar a melhorar aquilo que faz sentido para você para que consiga se realizar e fazer da sua própria vida um caminho mais florido.

    # 3
    Você compreendeu melhor o que realmente quer na vida?

    Esse é o tipo de resposta relativa. O que você quer hoje não necessariamente será o seu objetivo daqui há 10 anos. As coisas mudam à medida em que envelhecemos. Natural.

    Nesta semana uma paciente me disse que havia começado a preencher o eBook Plano 2017, mas que não sabia o que escrever, pois tinha receio que seus planos mudassem. De fato, isso poderia acontecer. Mas não é porque a vida muda todo o tempo que devemos permanecer parados esperando ela girar.

    Outra paciente estava em dúvida se investia num pequeno negócio, pois tinha receio de não dar certo. Claro que não há garantias de sucesso em negócio algum, ainda mais nos dias de hoje. Mas o aprendizado que ela teria (no sucesso ou no fracasso) poderia ser encarado como o verdadeiro investimento. O aprendizado ninguém tiraria dela. E seria justamente por conta desse aprendizado que ela poderia, se necessário, iniciar um segundo negócio de forma mais madura, consciente e preparada da próxima vez.

    Por isso, sugiro que, ao refletir sobre 2016, considere se seus principais desejos e necessidades mudaram nos últimos 12 meses. Se assim for, ajuste seus planos quantas vezes for preciso. Qual é o problema nisso? Apenas siga adiante, um passo de cada vez, e aí você chega lá.

    # 4
    Você fez pelo menos uma descoberta na sua vida pessoal ou profissional?

    Quando a gente fala de crescimento pessoal, parece que estamos falando de grandes feitos, objetivos heroicamente atingidos… Não, não é nada disso.

    Estar disposto a sair da zona de conforto e dar alguns passos em direção a isso já é sensacional e super corajoso. Isso vale para coisas grandes e também para coisas pequenininhas (mas nem por isso de menor valor). Essas são as descobertas da vida.

    Pense em tudo o que você superou em 2016. Eu tenho certeza que se pudesse lembrar dos 365 dias do ano, teria 365 desafios vencidos. Pense nos seus medos, nas angústias, nas situações tristes, nas raivas que passou e em como conseguiu passar por cada uma delas. Se isso não é crescimento, não sei mais o que poderia ser…

    Orgulhe-se por ter passado por mais este ano. Você sobreviveu. E nessa jornada, tenho certeza de que cresceu mais um pouquinho a cada dia que passou.

    Por fim, convido você, mais uma vez, a examinar sua vida e elaborar um plano para o ano que está nascendo. E, assim como todo nascimento traz uma nova esperança, ofereça para si mesmo essa oportunidade de viver 2017 com um novo olhar, com uma nova perspectiva. O eBook Plano 2017 certamente irá ajuda-lo nesse caminho.
    Um lindo, leve e sensacional 2017 para você!

    E se você quiser se sentir mais inspirado ainda, preparei mais um presente que me ajudou muito quando passei por um ano super difícil de minha vida: eBook 365 frases para inspirar a sua vida. Baixe e depois me diga se gostou.

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  • Você é um bom candidato para vivenciar a Psicanálise?
    Por Alenne Namba

     

    Nestas últimas semanas me deparei com alguns pacientes em dúvida quanto aos resultados do tratamento psicanalítico e ansiosos pelo tempo em que tais resultados comecem a aparecer.

    Quando você inicia qualquer tipo de terapia, sua expectativa é de que os resultados comecem a surgir o mais rápido possível, principalmente nos dias de hoje em que alguns segundos de espera são infinitos quando você clica em qualquer botão.

    Por isso resolvi escrever algumas considerações sobre quem é um bom candidato a participar de um processo psicanalítico, a fim de alinhar expectativa e realidade.

    Iniciemos com uma frase simples: Nem todo mundo é um bom candidato para o tratamento psicanalítico.

    E por quê?

    Alguns pacientes desejam o alívio do sintoma, eles querem se livrar do que está acontecendo agora, seja o sintoma uma ansiedade, uma tristeza, uma insônia, falta de foco, depressão ou qualquer outra manifestação.

    Para esse alívio imediato algumas abordagens da psicologia e a prescrição de medicamentos psiquiátricos podem ser um recurso.

    Nós analistas, no entanto, olhamos para esses sintomas recorrentes como manifestações do inconsciente no corpo. Para a Psicanálise funciona assim: o que não pode ser expresso através da linguagem encontra o seu caminho no organismo na forma de uma queixa física, comportamental ou psicossomática.

    Quando o paciente entra no meu consultório e traz demandas como…

    “Eu não consigo dormir à noite”

    “Não consigo me concentrar”

    “Eu tenho dificuldades de relacionamento com minha mãe “

    “Estou passando por momentos difíceis com meu marido”

    “Estou super ansioso com meu novo emprego”

    “Não sei por que não consigo emagrecer”

    …é preciso que ele entenda que deve estar preparado para fazer um trabalho de autoinvestigação, deve estar preparado para assumir a responsabilidade pelo que está acontecendo em seu corpo e em sua vida, aceitando e principalmente dando voz ao seu inconsciente.

    Ao invés de tentar encontrar uma solução externa para um problema interno, bons pacientes para o tratamento psicanalítico estão dispostos a encontrar as respostas dentro de si, a se responsabilizarem por sua postura perante sua queixa.

    É notório o resultado de um paciente que se entrega ao divã, que traz para o setting seus sonhos, que encara suas feridas mais dolorosas, que usa seus momentos de silêncio para refletir, que dá voz ao seu inconsciente, que reflete sobre as pontuações do analista, que entende que o analista não possui as respostas (mas sim as perguntas), e que busca as respostas dentro de si, responsabilizando-se por sua melhora.

    Assumir a responsabilidade para seu estado psicológico significa que você tem controle sobre ele, e por sua vez significa que você pode mudá-lo se você optar por fazê-lo .

    E o que significa “se você optar por fazê-lo“?

    Porque na Psicanálise entendemos que não necessariamente a pessoa quer, de fato, mudar; ou vai, de fato, mudar. Principalmente porque mudar envolve perdas e nem sempre o paciente está disposto a abrir mão. Além disso, muitas vezes a felicidade dá medo, pois é um caminho desconhecido e, portanto, desconfortável.

    Mais importante do que mudar é fundamental compreender quem você é e o que fazer com isso, como lidar com essa pessoa e com a forma como ela pensa e age.

    Por isso sempre digo na entrevista inicial que não estou aqui para dar conselhos. Um analista não costuma ensinar técnicas ou perseguir um objetivo específico (como num processo de Coaching, por exemplo).

    Nosso objetivo maior é que hoje você esteja se sentindo melhor do que ontem e que amanhã esteja se sentindo melhor do que hoje. E assim por diante.

    Além disso, acontece de mesmo após tomar consciência de um comportamento, o próprio paciente decide que não quer mudá-lo. Ele ganha consciência sobre seus sintomas, suas ações, seus padrões, mas continua no mesmo tom. E ele tem total liberdade para isso.

    Quer um exemplo?

    Uma paciente que toma consciência de que está dentro de um relacionamento abusivo. Ela pode, e tem todo o direito, de optar por continuar dentro desse relacionamento abusivo. Não é o analista que tem de pegar a mão dela e retirá-la à força dali. Ela é dona do próprio desejo. Talvez ela sinta que precisa daquilo e até que gosta daquilo. Por que não?

    Por isso digo que ali no setting não há espaço para julgamento.

    O que ocorre, num caso como esse, por exemplo, é que ao escolher não mudar ela terá de lidar com as consequências de sua escolha, sabendo que seus sintomas (ansiedade, insônia, dores de cabeça, cansaço, pressão) podem continuar presentes uma vez que ela decidiu não mudar a causa do problema. Isso é fazer uma escolha consciente, estando certa ou não para mim ou para você.

    A diferença é que antes era um caminho inconsciente, e agora se torna uma escolha consciente.

    Ocorre também de os sintomas que levaram o paciente a procurar o tratamento desaparecerem quando o indivíduo percebe que não mais “precisa” deles. Digo “precisa” porque na Psicanálise o sintoma é uma forma de mecanismo de enfrentamento, uma estratégia defensiva, uma tática de sobrevivência criados pelo inconsciente como uma solução para um problema que é grande demais, ameaçador demais, doloroso demais para se processar.

    Exemplo: uma paciente que costuma se autoflagelar pode usar esse expediente para sentir no corpo físico a dor psíquica com a qual não consegue lidar. Ela “precisa” doer no corpo para evacuar a dor interna de ter sido psicologicamente abusada, por exemplo, pela própria mãe.

    Então, a resposta que sempre dou nas entrevistas iniciais é a de que a Psicanálise não tem o propósito de curar ninguém, nem que temos a resposta para o tempo que será necessário permanecer em tratamento, nem que tenho as respostas para direcionar o paciente no melhor caminho que ele crê que eu saiba qual é.

    Não, nada disso.

    A resposta da Psicanálise é, portanto, tornar consciente suas dores inconscientes e se sentir preparado para fazer as próprias escolhas. Ou seja, responsabilizar-se pela vida na qual está se encaminhando, lidando com seus erros e acertos e, principalmente, aceitando aquilo que você não pode controlar.

    Saiba mais sobre psicoterapia psicanalítica aqui.

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