• como dizer não
    Por que é tão difícil dizer NÃO?
    Por Alenne Namba

     

    Quando resolvi escrever o eBook Aprenda a dizer NÃO sabia que teria um grande retorno das pessoas que me acompanham. E foi batata. Muitos foram os e-mails que recebi em que se relatava a grande dificuldade em dizer “não” e por motivos diversos.

    “Alenne, tenho medo de não me aceitarem”.

    “Alenne, tenho muito medo de acabar sozinha, sem meus pais nem meus amigos.”

    “Alenne, eu sequer sei o que quero, então é mais fácil dizer sim e seguir o que os outros esperam de mim.”

    Dizer “sim”, quando queremos dizer “não”, é realmente um mecanismo de enfrentamento que pode ter sido aprendido durante seu crescimento, mas que pode ser ressignificado se você tiver paciência e coragem de olhar bem aí dentro de você. O que ocorre é que pode ser bem assustador o que você pode descobrir sobre si e sobre seu relacionamento com as pessoas ao seu redor.

    Como falei logo acima, uma das principais razões pelas quais temos dificuldade em dizer “não” pode ser atribuída ao medo de não querer machucar os sentimentos de outra pessoa. No entanto, quando você escolhe não ferir os sentimentos alheios, pode também estar escolhendo ferir os próprios sentimentos. E, então, não está sendo fiel a si mesmo e está cada vez se distanciando de si próprio.

    Em meus atendimentos, ouço repetidas vezes de pacientes com dificuldade em dizer “não” que se sentem obrigados a se colocarem no lugar do outro: “Alenne, como posso não ajudar fulano, quando ele me pede? Se eu estivesse no lugar dele, apreciaria a ajuda!”

     

    Entretanto, embora convivamos com pessoas capazes de atos altruístas todo o tempo, infelizmente convivemos com muitas pessoas não tão altruístas assim. Muitas delas, inclusive, bem egoístas. E, apesar de ser duro encarar isso, é necessário (sugiro a leitura do eBook Como lidar com um egoísta).

    Então, essa ideia de nos colocarmos no lugar do outro, na esperança de que o outro faça o mesmo por nós, é bastante inocente e irreal. E, por mais que o que acabei de dizer seja, como disse, duro de ouvir, questione-se e faça uma retrospectiva de todas as pessoas que você ajudou com os “sins” que deu em sua vida e responda: todas foram gratas e devolveram sua atitude com a mesma generosidade?

    O ponto crucial aqui para se compreender não é o fato de aprender a dizer “não” porque os outros não lhe devolverão na mesma moeda. Não é isso. O ponto aqui é fazer o que você precisa fazer, seja dizer “sim” ou dizer “não”, consciente de que nem sempre o outro lhe responderá da forma como você espera e imagina.

    Outro aspecto prejudicial em se dizer “sim” constantemente é manter o outro dependente de você, ou ainda criar no outro a expectativa de que ele tem o direito que você diga “sim” sempre para tudo o que ele pedir. E isso ultrapassa todos os limites de relacionamento entre duas pessoas, pois você também tem o direito de negar auxílio, caso sinta que é o melhor a se fazer. Além disso, uma vez que você sai do padrão de fazer coisas que você não quer fazer ou coisas que lhe causam desconforto, você começará sentir um gostinho de liberdade nessa mesma relação com o outro. Nem você é preso ao outro, nem o outro é preso a você.

    Ou seja, ao aprender a dizer “não”, você pode aumentar sua confiança, reduzirá o número de pessoas que lhe demandam em excesso e criará a oportunidade de construir relacionamentos mais sinceros em sua vida.

    Você pode ter dificuldade de dizer “não” por diversos motivos:

    Medo de magoar alguém

    Medo de não ser aceita

    Medo de ser percebida como egoísta

    Necessidade de secolocar no lugar da outra pessoa

    Necessidade de socializar para ser legal

    Medo de ser percebida como reativa

    Medo de se chatearem com você

    Dificuldade em estabelecer limites

    Se você se enxergou na lista acima, aproveite, então, para baixar o eBook Aprenda a dizer NÃO. São 80 páginas gratuitas que lhe auxiliarão a sentir-se capaz de dizer “não” sem se prejudicar nem decepcionar ninguém.

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  • O que NÃO aconteceu na sua infância?
    Por Alenne Namba

     

    Você já ouviu falar em Negligência Emocional?

    O pediatra e psicanalista Donald Winnicott nos apresentou aqui a importância da figura da mãe suficientemente boa para que o filho possa atingir um desenvolvimento emocional saudável. E a negligência emocional tem tudo a ver com essa ideia winnicottiana.

    Podemos dizer que a negligência emocional é o fracasso dos pais em responder o suficiente às necessidades emocionais do filho.

    Em outras palavras, negligência emocional é algo que não aconteceu em sua infância.

    Para que você entenda por que a negligência emocional é tão sutil e quase imperceptível, vamos fazer uma experiência.

    Primeiro, eu gostaria que você pensasse em um acontecimento no seu dia de ontem. Pode ser qualquer coisa, grande ou pequena. Apenas pense em algo que aconteceu.

    Em seguida, pense em algo que não aconteceu ontem.

    É bem provável que este segundo pensamento tenha sido bem mais difícil de realizar do que o primeiro. E isso se dá porque os acontecimentos do nosso dia a dia são registrados como memórias, enquanto as coisas que não aconteceram passam despercebidas, invisíveis, quase não lembradas. Como se fossem uma poeira sem forma na nossa mente.

    Não é de hoje que temos consciência do fato de que o que nos acontece na infância apresenta um efeito tremendo sobre o adulto que nos tornamos. Mas o oposto também é verdade. Aquilo que não acontece para nós na infância tem um efeito igual ou até maior.

    Como expliquei lá no início, a negligência emocional é o fracasso de um pai ou mãe para responder o suficiente às necessidades emocionais da criança. Não é um pai que age negativamente, mas um pai que se omite. E isso pode ocorrer de várias formas, podendo se dar de modo tão sutil, que a família inteira pode estar presente quando aquele evento não está acontecendo e, mesmo assim, todos estarem totalmente inconscientes ao fato.

    Quer um exemplo?

    Suponhamos que Joãozinho venha sofrendo bullying na escola. E que hoje tenha sido um dia daqueles para ele. Ele chega em casa se sentindo bem triste, mas seus pais não notam. Nem seu pai nem sua mãe se aproximam dele para perguntar se ele está bem ou se aconteceu algo na escola ou no seu dia. Os irmãos também não se atentam aos sentimentos do Joãozinho. Estão todos envolvidos em sua rotina diária.

    Isso provavelmente é o que costuma acontecer diariamente nas casas no mundo afora. Ou seja, parece algo bem comum.

    Se é algo bem comum e se acontece com boa parte das crianças por aí, então como isso poderia danificar uma criança, deixando cicatrizes que permanecem em sua idade adulta?

    A resposta está nas necessidades naturais e de desenvolvimento das crianças. Para que uma criança cresça com um sentido completo de si mesmo, de quem ela é, e do que ela é capaz, ela tem de ter bastante consciência, compreensão e aceitação de suas emoções provenientes de seus pais. Se há uma falta dos pais em qualquer uma dessas áreas, a criança vai crescer sentindo-se incompleta e com um déficit de algumas das habilidades, como autoconhecimento e autocuidado. E acredito que não seja surpresa para ninguém de que tudo isso é essencial para que a criança se desenvolva de modo pleno e saudável.

    Vamos voltar à história do Joãozinho. Ele veio para casa se sentindo triste naquele dia. Se isso acontecer ocasionalmente, pode ser que não haja aí muito problema. Mas se for sentido com profundidade e frequência, então se acende uma luzinha de alerta. Não poderemos considerar apenas um sentimento de tristeza, mas junto dela estão outros muito importantes: Joãozinho pode também estar sentindo que não é notado, respeitado, importante para seus pais e para sua família como um todo. Joãozinho poderá crescer com esse vazio emocional e acreditar que seus sentimentos são irrelevantes, ou até mesmo vergonhosos ou inaceitáveis.

    Em consultório, vejo repetidas vezes essas falhas sutis dos pais e que marcaram profundamente a infância de meus pacientes. São indivíduos com seus 20, 30, 40 ou 50 anos tentando lidar com as consequências dessa falta, desse buraco aberto. O paciente cresce com um sentimento de incompletude, vazio, insatisfação, frustração e, muitas vezes, questionando seu próprio valor. E isso não é exceção, mas sim a regra.

    E como a negligencia emocional é sutil, fica muito mais difícil trabalha-la quando o adulto emocionalmente negligenciado volta em suas memórias da infância e justifica seus sentimentos ou a atitude dos pais. É muito comum ouvir pacientes dizerem que tiveram pais maravilhosos, uma infância maravilhosa, que nunca foram maltratados ou abusados nem física nem emocionalmente, que seus pais os amavam, que trabalharam muito para criá-los. Dizem que se estão se sentindo tristes ou deprimidos, a culpa é somente deles próprios.

    Essas pessoas simplesmente não conseguem se lembrar do que não aconteceu em sua infância. Assim como não admitem as falhas dos pais quando elas são trazidas à tona. Então, como adultos, eles se culpam por tudo o que está errado em suas vidas. Como não se lembram do que não aconteceu ou justificam a falta dos pais, então dificilmente estes pacientes conseguem enxergar o que está por trás de suas angústias para superá-las.

    Além da culpa que carregam por anos a fio, outro aspecto preocupante da negligência emocional é sua continuação de geração em geração. Crianças emocionalmente negligenciadas crescem com esse ponto cego, ou seja, geralmente não conseguem elaborar suas emoções tampouco as dos outros. E, assim, quando se tornam pais, acabam por também não estarem conscientes das emoções de seus próprios filhos. No final, esses filhos crescerão com o mesmo ponto cego de seus pais, carregando tal comportamento de geração em geração.

    Leia aqui O que está por trás do jogo Baleia Azul

    Em tempos de receio e medo de que seus filhos sejam vítimas de jogos como o atual Baleia Azul, meu objetivo com este artigo é tornar os pais mais conscientes desse aspecto sutil, mas poderoso da relação com seus filhos. Enxergar a criança e suas fragilidades e angústias é dar-lhe a oportunidade de elaborá-los, de tornar visível o invisível, de nomear o desconhecido e, principalmente, de corrigir possíveis falhas. Afinal, os pais falham, pois são seres humanos comuns e não heróis ou os donos da verdade, como muitos costumam pensar.

     

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  • O que pode estar por trás do jogo Baleia Azul
    Por Alenne Namba

     

    Ninguém vai sentir minha falta mesmo…

    Esse é o tipo de sentimento que faz com que adolescentes do mundo todo se envolvam com o jogo Baleia Azul.

    Para quem ainda não conhece do que se trata, aqui vai uma breve explicação:

    O adolescente é convidado, via rede social, a participar de um grupo chamado Blue Whale (baleia azul, em inglês) e uma vez dentro do grupo, é incentivado e pressionado a cumprir uma série de tarefas que passam por automutilação, pendurar-se em locais perigosamente altos e culminam em suicídio.

    Especula-se que o jogo tenha se iniciado na Rússia, mas muitos são os casos sendo investigados pela polícia mundo afora. No Brasil inclusive.

     

    O envolvimento como isca

    A adolescência é um período de crise de identidade, momento em que mente e corpo estão confusos e se adaptando às mudanças hormonais. Além disso, o jovem ainda tem de lidar com a ansiedade da própria adaptação às mudanças de relacionamento com os pais e com a sociedade em geral. Afinal de contas, esse jovem não é mais criança, mas também não é um adulto formado. Então sua interação com a família e a sociedade muda, mas ainda de modo vacilante. Ele não aceita como verdade absoluta, por exemplo, o direcionamento dos pais, como geralmente uma criança aceitaria; tampouco se sente hábil para as responsabilidades que a vida adulta traz consigo. Ou seja, sua psique ainda está em desenvolvimento, ainda está imatura.

    E os mentores de jogos como o Baleia Azul sabem e se aproveitam dessa fragilidade. Eles pressionam, ameaçam e empurram esses adolescentes até o limite de suas inseguranças e fraquezas. Para agravar ainda mais a situação, as tarefas são desenhadas para desestabilizarem o psicológico dos participantes. Uma delas faz com que o jovem ouça repetidamente uma música triste e, é claro, isso mina cada vez mais o pouco sentimento de autovalor que esse jovem possui. Ao final, este indivíduo foi exposto a diversas tarefas que o fazem lembrar diariamente que talvez, em sua percepção, a melhor saída seja se livrar de uma vez por todas desses sentimentos negativos dentro de si.

    Mas jogos como o Baleia Azul, apesar de um real motivo de preocupação, não possuem a capacidade de criar o desejo de morte por si só. E a Internet não é a única alternativa para colocar em andamento esse desejo. Se as coisas estão equilibradas e saudáveis na vida deste jovem e, de repente, ele se envolve com esse tipo de jogo por curiosidade, dificilmente esse conteúdo tomará conta de sua mente.

    Mas se ele não possui ninguém para conversar, se se sente completamente só e sem importância para ninguém, se ele sente essa desconexão consigo próprio e com o mundo, então ele pode se tornar presa fácil.

    Pode parecer paradoxal, mas num ambiente virtual como o do jogo, ele encontra outras pessoas com quem compartilha sentimentos afins e encontra um mentor que lhe dá atenção e importância, mesmo que negativamente. Assemelha-se a uma criança de dois anos que, ao recepcionar a mãe cansada após um dia extenuante de trabalho, faz de tudo para que ela lhe dê atenção, mesmo que negativamente num grito ou numa surra.

     

    Caminhos possíveis

    Ao ler diversos posts e comentários sobre o tema nas redes sociais, fiquei preocupada. Eram pais e mães insistindo que o caminho seria o controle ou a repressão. Alguns deles apontavam a surra como solução para esse comportamento adolescente.

    O que me preocupa é que esses pais estão mais preocupados com os sintomas superficiais do que com o conhecimento da causa que leva seus filhos a agirem assim. Estariam eles se eximindo da responsabilidade de conhecerem os próprios filhos? Estariam eles mais preocupados em maquiar os sintomas perante o olhar alheio? Não sei e talvez nunca obtenha essa resposta…

    O que entendo é que, pela minha experiência, o caminho não é necessariamente controlar ou reprimir o uso de celulares e Internet, ou a surra como solução. Não, nada disso. Tudo isso é superficial e precisamos olhar mais profundamente para a complexidade da questão.

    Controlar e reprimir fará apenas com que o sintoma mude de lugar, mas ele continuará ali vivo. O jovem que tiver seu celular ou a Internet bloqueados não se comunicará nas redes sociais, mas o sentimento dele de vazio e não pertencimento continuará dentro dele. E isso, nem a falta do celular, nem a falta da Internet, nem a surra tirarão milagrosamente de dentro dele.

    O caminho pode estar na participação da família na vida desse filho, em se ter de verdade um canal acessível de comunicação com esse filho, em ouvir de coração aberto esse filho. E quando falo isso em consultório, muitas vezes ouço pais argumentarem o seguinte:

    Mas eu converso com meu filho, eu falo tanto no ouvido dele, eu cobro as tarefas, eu ensino os princípios religiosos ou morais para ele, ele vê nosso exemplo em casa, ele vê que nada foi fácil para nós, que ele tem de lutar e ser forte…

    Não…

    Isso não é comunicação. Isso é doutrinamento, numa via de uma mão só.

    O diálogo que incentivo aqui como caminho nada mais é do que relacionar-se com seu filho. E relacionar-se, como a psicanálise diz, é a cura para muitos dos males do ser humano. E neste caso não é diferente.

    Relacionar-se, conectar-se com o outro, ser e fazer diferença na vida de alguém, tudo isso é uma resposta àquela frase inicial que abre este artigo. Se você se sente importante para alguém e, mais essencial ainda, se você se sente importante para si mesmo, então sua falta fará sim diferença no mundo.

    Relacionar-se com o outro, ouvir e falar, dialogar sobre experiências, sentimentos, decepções e alegrias expande nosso olhar. É através do outro que conhecemos e podemos enxergar de modo diverso tanto o mundo externo quanto o nosso mundo interno. Afinal, muitas vezes o outro percebe algo em nós que nem nós mesmos havíamos percebido!

    Então uma saída saudável para a diminuição de casos tristes como esses é que os pais e as pessoas próximas a essas crianças e adolescentes entendam que são responsáveis por criar e manter esses laços afetivos, uma vez que, como pudemos compreender neste artigo, são jovens ávidos por conexão, pertencimento e atenção.

    Aceitar, sem julgamentos, o filho como ele é, seja ele homossexual, transexual, com dificuldades em matemática ou português, sem o mesmo vigor atlético do pai, sem a destreza organizacional da mãe, tímido, com aspirações profissionais dissonantes às dos pais… Não importa. É seu filho e precisa ser amado.

    Buscar ajuda imediata, caso você perceba um jovem em risco, é fundamental. São vários os meios de auxílio profissional, sejam psicanalistas, psicólogos, psiquiatras ou outros grupos de apoio como o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece suporte emocional para pessoas com pensamentos suicidas e que precisam conversar de maneira sigilosa. O atendimento funciona 24 horas por dia através do telefone 141.

     

    Principais motivadores

    Os motivos para um adolescente dar corda à curiosidade de participar de um grupo como o Baleia Azul são muito complexos e não tenho a pretensão de elencá-los todos aqui. Mas o que podemos afirmar é que muitos dos motivos estão relacionados à baixa autoestima deste jovem fragilizado:

    – desconexão com um dos pais ou ambos;

    – autoimagem distorcida;

    – sentimento de inadequação, incapacidade ou não pertencimento a um grupo;

    – abuso físico, sexual ou psicológico;

    – sentimento de culpa, vazio e desesperança;

    – necessidade de reviver forte adrenalina, proveniente de um lar cheio de conflitos e em constante ebulição;

    – distúrbios psicológicos, como melancolia, depressão, transtorno bipolar e adições com álcool ou drogas.

     

    Sinais de alerta

    É importante que os pais, familiares e amigos estejam atentos aos principais sinais:

    – isolamento ou afastamento de pessoas antes queridas;

    – mensagens em redes sociais ou em conversas triviais sobre culpa, desespero, morte, suicídio ou falta de esperança;

    – comportamentos autodestrutivos (automutilações, adições ao álcool ou drogas);

    – mudança acentuada de humor e de comportamento (oscilação passivo-agressiva, apetite em excesso ou perda de apetite, sono em excesso ou insônia, perda de interesse em atividades antes prazerosas).

     

    Caso você esteja precisando de suporte emocional ou conheça alguém que necessite, entre em contato clicando aqui.

     

     

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