• 6 comportamentos inconscientes que boicotam sua vida
    Por Alenne Namba

     

    Eu sou apaixonada por livros e filmes que retratam a Segunda Guerra Mundial. Mas sempre me questionei por que cargas d´água a população alemã aceitou tão facilmente os absurdos levados adiante pelo partido nazista comandado por Hitler.

    Que neurose coletiva era aquela que acreditava ser “bom e correto” tudo aquilo que estava ocorrendo? Que justificativa usavam para si mesmos e perante seus filhos para aceitarem, concordarem e alguns até mesmo participarem de toda aquela maldade escancarada? Seria o medo de pensar diferente do chefe, do vizinho, dos pais, da comunidade? Seria o medo de questionar? Seria o medo de pegar o caminho contrário e solitário?

    Pois bem, nesta semana, ao finalizar meus atendimentos, deparei-me com o mesmo assunto em sessões diversas: “Eu não quero mais viver assim, eu quero viver assado. Mas eu não sei se vale a pena o risco. Eu tenho muito medo. Talvez seja melhor continuar convivendo com o medo, porque não sei se tenho a capacidade de mudar esse caminho”.

    Enquanto eu refletia em cima disso, veio-me esse questionamento sobre a cultura do medo nazista. Parece que é extremamente difícil e dolorido sair da linha do pensamento comum, do pensamento tido como “automático e verdadeiro”. Enquanto nossa voz interior nos fala: “Não aguento mais, você precisa mudar sua rota”; outra voz (essa mais astuta e dominante) nos alerta: “Pensa bem se vale a pena, porque o risco é grande. Você nunca passou por esse caminho antes, será tudo novo e desconhecido. Você vai sofrer e sofrer é ruim”.

    Muito do conflito interno que você vive é resultado de uma vida calcada no medo de ouvir essa própria voz, resultado da não aceitação do seu real pensamento e comportamento “bom, automático e verdadeiro”. Passamos uma vida sem nos questionarmos aquilo que vai sendo introjetado em nós. E quando criamos a coragem para questionar, damos as costas, voltamos para trás, desistimos. É mais fácil seguir em frente, mesmo que esse caminho não nos leve para onde queremos ir.

    Então, decidi apresentar aqui para você refletir alguns destes comportamentos inconscientes que te impedem de chegar aonde você quer, não importa em que aspecto de sua vida, seja ele afetivo, profissional, físico ou mental.

     

    1. Você acredita que basta decidir o que se quer e ir em busca disso, para que seu desejo se torne real. Mas, na realidade, você se sente incapaz de sequer imaginar que objetivo deseja, que vida você quer ter.

    No início do meu processo de Coaching, apresento para o coachee uma ferramenta para que ele desenhe o que deseja para sua vida dali para frente. E, por incrível que pareça, para muitas pessoas é bastante difícil realizar a atividade. Algumas delas não sabem o que deseja, não sabem para onde querem ir. Acreditam que não estão vivendo o que gostariam, mas também não sabem dizer que vida querem viver.

    Sua mente só consegue perceber aquilo que é conhecido, por isso, quando você pensa num desejo, você não está olhando para o futuro, mas sim recriando um ideal do passado.

    Difícil compreender?

    Vamos lá tentar exemplificar: para uma pessoa que viveu violência física no passado, pode facilmente desejar uma vida sem violência física no futuro. O fato de ela desejar isso no futuro é uma recriação de uma vida ideal baseada no seu passado de dor.

    Por isso, quando o coachee sente dificuldade em realizar a atividade da ferramenta, peço que ele primeiro desenhe como é sua vida hoje, com todas as dores, sofrimentos, angústias, medos. Assim, fica mais fácil compreender para onde você quer ir e, quem sabe até, imaginar o que precisa ser feito inicialmente para chegar lá.

     

    2. Você se esquece de desfrutar do momento presente, porque acredita que a felicidade está em algum lugar no futuro. Você fica constantemente tentando buscar uma forma de ser totalmente feliz.

    Você se esquece de perceber todas as alegrias que você vive hoje, todas as vantagens e facilidades que sua vida te apresenta agora. Você acaba se convencendo que hoje não está bom, que só o amanhã poderá salvá-lo.

    Você acredita que o seu sucesso, o seu sonho, a sua felicidade está em algum lugar do futuro. Será num novo emprego, num novo relacionamento, numa casa nova, num país novo, se pudesse até numa família nova.

    Você passa uma vida medindo seu comportamento, fazendo tudo certinho, para chegar em algum lugar que te traga paz e felicidade. Mas você se esquece que a segurança de fazer tudo certinho não tem ligação alguma com a felicidade.

    E, embora esse termo seja tão difícil de definir, posso dizer que a felicidade está mais relacionada com experiências do que com segurança. E as experiências, você está vivendo agora, no hoje, aqui. Talvez este seja o momento de desfrutar da experiência, aprender com ela e, quem sabe, curtir momentos de felicidade agora mesmo, a partir do que produz neste momento presente.

     

    3. Você desnecessariamente cria problemas em sua vida, para justificar o medo de realmente vivê-la.

    Esse comportamento é velho conhecido em consultório…

    No momento em que estamos chegando perto do x da questão, o paciente começa a faltar ou abandona o tratamento. Muito comum.

    Este padrão pode ser uma fuga. Ela te distrai enquanto você comemora não se sentir vulnerável perante aquilo que você poderia confrontar. Assim como não se sentirá vulnerável, também não se sentirá responsável por resolver seus próprios problemas. Basta deixá-los ali adormecidos, por enquanto. Mais seguro assim.

    O que chamamos de prazer no desprazer está muito ligado ao medo de viver a vida que se deseja, pois, embora ela seja reluzente, ela também é desconhecida. E isso é altamente assustador.

     

    4. Você acha que seu passado define você. E pior: você acha que isso é imutável. Mas, na realidade, você é mutável.

    Ontem estava conversando com uma pessoa que, a meu ver, está passando por uma fase de desmotivação, prestes a desistir de seus sonhos. E ela estava tentando justificar (para si mesma) essa desistência ao dizer que não acredita que as pessoas mudam.

    Interessante ela não perceber sua mudança ao longo dos anos, nem a mudança das pessoas ao seu redor. Será possível que ninguém muda ou que as mudanças não são significativas?

    Com algumas poucas exceções, acredito que a mudança não só é possível como é bastante real. E a vejo ocorrer todos os dias em consultório. A evolução humana é um fato. Aceitar sua capacidade de evolução é também responsabilizar-se por essa evolução. Talvez por isso seja tão conveniente boicotá-la.

     

    5. Você tenta mudar as coisas, as situações, os outros. Quando não consegue, você se queixa ou se chateia. Mas, na realidade, o que te angustia no outro é uma sombra sua que você não quer ver.

    A maioria das reações emocionais negativas que apresentamos ao nos deparar com um defeito do outro diz respeito a uma sombra nossa.

    Meus pacientes sabem bem o que significa isso. E não é fácil enxergar, muito menos admitir.

    Você realmente não gosta desses aspectos em si mesmo, mas ao mesmo tempo possui um apego a eles. Então, quando você vê alguém exibindo tais traços, você fica com raiva, angustiado, até enfurecido. Mas não é porque você não gosta desse aspecto no outro, e sim porque você não gosta desse aspecto em si. E, enxergando no outro, você tem de lutar contra seu desejo de integrar essas características em sua consciência.

    Aquilo que você ama nos outros, você ama em si. Aquilo que você odeia nos outros, você também odeia em si. Observe.

     

    6. Você pensa que os problemas são obstáculos no seu caminho impedindo-o de alcançar o que você quer. Mas, na realidade, eles são o próprio caminho.

    Difícil de entender essa? Você verá que não.

    Vamos lá exemplificar: quando eu estava sofrendo por me ver presa ao órgão público onde eu era servidora não via aquela situação de outra forma senão um grande empecilho, problema, obstáculo (para não usar outras palavras…). Mas ao longo do caminho fui percebendo que foi justamente pelo fato de ter ido parar lá naquele local com aquelas pessoas que me vi tendo de correr atrás do que eu realmente gostaria de fazer da minha vida profissional.

    Hoje sou grata às pessoas boas e às pessoas más que caminharam lá comigo. Ambas me ajudaram a me ver, a me perceber, a me entender e a entender toda a situação. Foi lá que me percebi uma ouvinte atenta e desejosa de auxiliar. Foi lá que ganhei o dinheiro suficiente para investir em minha nova profissão. Foi lá que fiz amigos que me incentivaram, assim como meus “não tão amigos assim” também se mostraram um ótimo incentivo para sair dali.

    Foi viver aquele grande problema que me fez correr atrás de resolvê-lo.  O problema se tornou “o” caminho. E, por conta daquele mega obstáculo, hoje estou aqui.

     

    Leia mais
  • Você sabe o que é Mindfulness?
    Por Alenne Namba

    Engraçado como realmente as coisas não acontecem por acaso.

    Na semana passada atendi uma coachee que me pediu algumas ferramentas que a auxiliasse quando as preocupações começassem a pipocar em sua cabeça. Logo me lembrei dos exercícios de Plena Atenção ou mais conhecido por Mindfulness.

    No final de semana seguinte, minha irmã me fala que está fazendo um curso de Plena Atenção na escola onde trabalha e que a tem ajudado muito em sua forma acelerada de ser.

    Certamente tudo isso me trouxe mais certeza ainda de que o Mindfulness ou simplesmente “estar consciente” como falamos em Psicanálise não é algo a se desconsiderar, como muitos falam por aí. Ao contrário, é necessidade básica nos dias de hoje.

    Muitos de nós passamos boa parte do nosso tempo pensando sobre o passado ou sobre o futuro. Desejamos que nossas vidas sejam diferentes, arrependemo-nos por algo que fizemos ou dissemos, analisamos o comportamento daqueles que nos rodeiam, ou seja, estamos envoltos em pensamentos de tudo o que poderia ser, mas não é.

    Mesmo quando estamos felizes, acabamos nos preocupando com isso. “Ah, está tudo bom demais. Essa felicidade não vai durar por muito tempo”. Ou “Não está bom o suficiente, poderia ser melhor”.

    Talvez tudo o que precisamos em certos momentos é parar, desacelerar, focar no momento presente e apreciar o aqui e agora. E isso é Plena Atenção.

    Mindfulness, portanto, é uma prática importante para essa nossa vida agitada e desenvolvê-la pode oferecer diversos benefícios para a sua saúde, seu bem-estar, seus relacionamentos e inclusive para sua carreira.

    Por isso, preparei este eBook gratuito para você. Nele você encontrará informações importantes sobre o que é Mindfulness, qual sua utilidade no seu dia a dia, como você pode aplicá-lo na sua rotina e como você pode desenvolvê-lo como hábito essencial em sua busca por uma vida mais leve e mais coerente com quem você quer ser. E, como um mimo especial, seguirá com mais duas ferramentas que te ensinarão passo a passo como exercitar a atenção plena em diversas situações da sua vida cotidiana.

    Espero que aproveite!

    Leia mais