• Por que repetimos os mesmos sofrimentos?
    Por Alenne Namba

     

    Não importa em que tipo de relacionamento você se encontre, se familiar, afetivo, de amizade, profissional. Escuto esta pergunta o tempo todo: Mas, Alenne, por que eu continuo sofrendo pelos mesmos motivos? Atraindo o mesmo tipo de pessoas? Passando pelos mesmos problemas?

    A resposta é bastante simples, embora sua solução demande um bocado de esforço: O responsável é seu Eu Machucado.

    Todos nós temos dois EUs ou, se preferir, dois SELFs. Temos o Eu Machucado (ou Self Inferior) e o Eu Superior (ou Self Superior).

    O Eu Machucado é sua parte incompleta, é sua porção que questiona seu valor próprio, que não se sente completo, se sente inferior. Seu Eu Machucado vive se perguntando por que você não é suficiente, por que não consegue isso ou aquilo, por que não merece o que deseja. É seu Eu Machucado que não se conforma em não ser amado.

    Por outro lado, você também tem um Eu Superior. Talvez ele esteja mais próximo do que chamamos de alma. É sua parte ligada ao amor mais puro e verdadeiro, à sabedoria, à verdade, à sua paz interior. Seu Eu Superior sabe exatamente seu valor, conhece suas forças e aceita que você seja do jeitinho que você é. Este Eu Superior não precisa que outros nos valorizem, nos amem, nos reconheçam; ele já faz tudo isso por você. Ele reconhece sua completude em si mesmo.

    Em muitos momentos, operamos a partir de um ou de outro. Mas muitos de nós operamos na maior parte do tempo a partir do Eu Machucado. Ou seja, acreditam que são inferiores, frágeis, incompletos e que precisamos de algo externo para compensar essa falta.

    O Eu Machucado procura lá fora (nos outros, nas coisas, nos relacionamentos, no emprego, no dinheiro…) algo que te faça encontrar validação e reconhecimento. Ele acredita que quanto mais você tem (repito: um parceiro melhor, um emprego melhor, uma casa melhor, mais férias, mais dinheiro…) aí sim você será feliz.

    Mas … o vazio não é preenchido e você nunca consegue essa felicidade pronta e sem fim.

    Na verdade, nos primeiros momentos em que você obtém esse algo externo (dinheiro, amor, férias…) você até se sente muito animado, como se não precisasse de mais nada. É uma falsa completude, porque é da própria natureza do Eu Machucado: ele nunca se sente completo, nunca é o suficiente.

    Portanto, quando você vive através da perspectiva do seu Eu Machucado, você está destinado a se sentir como se algo estivesse sempre faltando.

    Em relacionamentos afetivos o Eu Machucado fica altamente ativo, pois é nos relacionamentos onde vivemos mais situações em que podemos experimentar sofrimento.

    Todos nós já vivenciamos chateações, decepções, dores num relacionamento passado. Muitas vezes essa memória (tantas vezes inconsciente) é originada lá na infância, nos nossos primeiros relacionamentos (pai, mãe, responsáveis, avós, tios, irmãos, primos, professores, coleguinhas…).

    Se uma ferida da infância ainda está ativa dentro de você, é provável que você atraia pessoas que lhe farão reviver esse mesmo sentimento. Quer um exemplo? Se você foi rejeitado, é possível que atraia relacionamentos que, no fim, te façam se sentir invisível, rejeitado, sem valor, abandonado.

    Seu inconsciente está programado para atrair pessoas que ativam essas feridas. E você pode me perguntar: Mas Alenne, por que isso acontece? Até quando preciso passar por isso?

    A razão para isso é simples e muitas vezes difícil e dolorida: Para você aprender com essa experiência e crescer.

    Por exemplo, se você precisa desenvolver sua autoestima, é provável que você atraia todo tipo de pessoas que irão intimidá-lo, desvalorizá-lo, que serão agressivos com você, que irão se opor ao que você pensa e sente, que não reconhecerão o que você faz ou fez por elas. Essa, então, poderá ser sua oportunidade de praticar e desenvolver sua autoestima.

    Sei que essa é justamente a parte mais dura de um processo terapêutico, justamente quando você se percebe nessa repetição. Inicialmente quando a repetição é inconsciente talvez você sofra menos. Mais difícil é quando já sabe as origens da repetição, quando já começou a se trabalhar, mas ainda se vê envolta nos mesmos sentimentos. Essa é a parte mais difícil de aceitar.

    Mas tente pensar da seguinte forma: Você está repetindo essas experiências e sentimentos para que possa finalmente curar-se.

    Você não vai conseguir curar qualquer coisa se não puder senti-la ou enxergá-la. Não podemos curar as coisas que são inconscientes! Essa sensação de desconforto tem de vir à tona para que você consiga crescer a partir disso, a partir do aprendizado.

    E como você consegue crescer a partir dessas feridas?

    Mais uma vez dou uma resposta simples, mas também difícil: Identificando-se com seu Eu Superior.

    Lembra que falei que seu Eu Superior é aquela sua parte que conhece sua essência, sua verdade, seu valor? Pois é. Ele sabe o quanto você é inteligente, digno, capaz, poderoso, engraçado, justo, amoroso. É isso e mais ainda que seu Eu Superior sabe sobre você e ele quer (e quer muito!) que você também saiba disso.

    Seu Eu Superior sabe que você é completo, é pleno. Ele também sabe que você tem defeitos (afinal, todos temos!), mas sabe que é justamente essa imperfeição que te faz humano.

    Quando você se identifica com seu Eu Superior, sua compulsão por repetir os padrões do passado vão se dissipando. E, aos poucos, desaparece. Mas esse é um processo, não é um evento. Não ocorre em dias ou em meses, pode durar de meses a anos.

    E por que demora? Por que tem de ser tão sofrido assim?

    Outra resposta simples, mas difícil de encarar: Por que você passou anos e anos vivendo assim, repetindo essa ferida. E não é de um dia para o outro que tudo isso se dissipa. Há um processo que se inicia em tornar tudo isso consciente (o que dói), depois encarar essa realidade, trabalhar em cima dela, lutar contra as autossabotagens (pois o Eu Machucado luta ferozmente para se manter ativo e poderoso), reconhecer suas qualidades e defeitos, perceber seu valor e a capacidade de mudar de pequenas a grandes coisas… Enfim, o processo pode demorar. Mas só quem viveu um resultado concreto pode dizer o quanto vale a pena manter-se confiante.

    Quando você acorda para a verdade maior do seu Eu Superior, de repente você percebe que essas pessoas “erradas” eram apenas “professores da vida real”. Eles estavam ali, não à toa, para te ensinarem a fazer as pazes com sua Criança Interior.

    Sabe aquela frase “A gente cresce no amor e na dor”? Infelizmente, na maioria das vezes, a gente acaba aprendendo na dor. Mas embora seja sofrido, o ponto ao qual devemos nos apegar é justamente o aprendizado, e não a dor do processo.

    Esteja certo de que seu Eu Superior está doido para que você lhe dê forças, para que ele possa te mostrar o quanto você tem valor, quem você realmente é, e o que você de fato merece.

    Mas recuperar esse amor dentro de você não é um trabalho fácil. Há de se ter persistência para lutar com o Eu Machucado. Por isso sempre digo que é um processo que ocorre de dentro para fora. E não de fora para dentro. Para que isso aconteça, você precisa reconhecer em si um mínimo de valor. Só depois de um “eu mereço” é que você acabará indo em busca de auxílio para ressignificar esses padrões que, hoje, tanto te fazem mal.

    Procure e persista. O resultado virá.

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  • Estou perdido ou (de fato) seguindo minha verdade?
    Por Alenne Namba

     

    Todos os dias ouço histórias de pessoas que deixaram de lado seus sonhos porque não tiveram tempo, energia ou coragem suficientes para prosseguir.

    Ouço também aqueles que estão perdidos, presos numa vida que não lhes traz muito sentido, que não parece estar alinhada com quem de fato eles são. E acabam experimentando sentimentos de ansiedade e confusão.

    Mas como ter uma pista sobre estar ou não seguindo o caminho que é seu de verdade? Como saber se as escolhas que faço hoje estão alinhadas com quem eu sou? Como saber se estou só seguindo uma roda viva ou se estou criando meu próprio caminho?

    Ao iniciar essas reflexões, muitas dessas pessoas acabam se encontrando e retomando seus sonhos. Mas muitas também se deparam com diversas dificuldades e, por conta disso, desistem de vez e arquivam seus desejos de outrora.

    Se você também se sente perdido, se não sabe se suas escolhas estão no caminho certo, talvez esse artigo possa ajudá-lo nessa reflexão.

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    Por isso, o que sempre digo para meus pacientes e coachees é: observe seus próprios sentimentos. Eles irão te nortear sobre que caminho faz sentido para você mesmo. Porque uma vez que você começa a perseguir sua verdadeira paixão, você vai se sentir leve, cheio de energia e cheio de orgulho por ter vencido a si mesmo.

    Para você, desejo uma excelente caminhada!

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  • Amor-próprio: uma busca possível e necessária
    Por Alenne Namba

    Vou começar por uma frase que você tem se esquecido de repetir para si mesmo: “Eu sou diferente de qualquer outra pessoa no mundo e isso me faz especial”.

    Não estou aqui dizendo que você merece mais do que os outros, de que é mais importante, de que é a melhor pessoa do mundo. Estou dizendo que você possui suas próprias características, muitas delas únicas, e que você também merece ser amado pelos outros e, principalmente, por você mesmo.

    Depois de assistir ao filme A Garota Dinamarquesa, esse tema não me saiu da cabeça e, por isso, resolvi escrever esse artigo. No filme, você percebe a importância de enxergar-se como a pessoa mais importante da sua vida. E não se trata de um sentimento egoísta, trata-se de encontrar esse contato profundo consigo, seu amor-próprio. Arrisco-me a dizer que o filme Garota Dinamarquesa trata exatamente do que estamos aqui falando.

    Para começar nesse encontro, ajeite-se na cadeira, dê uma respirada bem profunda e comece a praticar o seguinte:


    1. Repita: Eu não sou perfeito. E tudo bem por isso.

    Exigir-se a perfeição é tão louco quanto tentar carregar água na peneira. Já tentou? Vá lá na cozinha e veja se é possível (ri muito quando ouvi essa expressão pela primeira vez…) A perfeição é uma fantasia, não existe, não é real. De fato: ninguém é perfeito!

    Existe um poema do Fernando Pessoa (na verdade, de seu heterônimo Álvaro de Campos, que eu amo de paixão e que se aplica muito bem aos dias de hoje, principalmente em época de Facebook. Não vou escrever aqui todo o poema, pois o artigo ficaria enorme, mas você pode lê-lo clicando aqui. (Leia, vale a pena!)

    Eu sei que a mídia tenta nos vender essa fantasia todo o tempo e muitos de nós acreditamos ser possível ter o corpo perfeito, o cabelo perfeito, a maquiagem perfeita, o namorado perfeito, enfim, ser a pessoa perfeita, o profissional perfeito… É triste viver nessa busca inócua.

    Cada um de nós nasce e cresce de forma diferente, a partir de experiências diferentes e essa é a riqueza e a beleza da diversidade. Amar-se e aceitar-se é o primeiro passo para viver em paz e para deixar fluir e externalizar em seu comportamento e em seus pensamentos o que há de mais puro e verdadeiro dentro de você.


    2. Questione-se: Eu poderia falar isso de outra pessoa?

    Da próxima vez que você se pegar falando de si mesmo algo como: “Eu sou um idiota” ou “Eu estou horrível gorda assim” ou “Eu queria ser outra pessoa” ou “Eu só faço besteira mesmo”, pare na mesma hora e repita o seguinte:

    • Respire profunda e lentamente com os olhos fechados;
    • Deixe todos esses pensamentos negativos irem embora com a cada expiração;
    • Cada vez que inspirar, pense em alguma característica boa que você possui, pense no amor que você sente por si mesmo (lá no fundo você se ama sim!);
    • Ao final, questione-se: Eu falaria essas coisas para uma pessoa a quem eu amo? Eu depreciaria assim minha mãe, meu pai, meu irmão, meu marido, meu filho? Como eles se sentiriam ouvindo isso de minha boca? Alguém merece ouvir esse tipo de coisa?
    • Anote no seu Diário de Bordo suas reflexões. Se não possui ainda um Diário de Bordo, leia aqui sobre ele.


    3. Reflita: Que características você admira nas pessoas que te rodeiam?

    Esse é um exercício interessante para aqueles que sentem dificuldade em focar no amor-próprio.

    Escreva no seu Diário de Bordo o nome de 5 pessoas por quem você nutre alguma admiração. Para cada uma delas, liste as qualidades que você enxerga ali.

    São pessoas persistentes, com autoestima elevada, generosas, justas, corretas, honestas, organizadas, criativas, empáticas, confiantes, apaixonadas pelo que fazem?

    De tudo o que você escreveu, que característica você também possui? Que característica você ainda não possui, mas gostaria de buscar? Como e o que farei para buscar essas características?


    4. Responda-se: O que eu gosto em mim?

    Vamos fazer agora uma outra lista. Anote no seu Diário de Bordo tudo aquilo que você gosta em si mesmo. Tente anotar pelo menos 10 características. Você pode incluir atributos físicos, mentais, emocionais, espirituais ou qualquer outro fator que influencie positivamente em sua vida.

    Você tem senso de humor, possui amigos, gosta do seu estilo, é inteligente, tem alguma habilidade, é gentil e educado, é bondoso, é honesto, possui bom caráter, é um bom filho, é um bom amigo, é responsável?

    Depois, pergunte para pessoas próximas a você (e em quem você confia) que também descreva algumas características que percebem em você. Não seja tímido nem modesto. Aceite calado o que as pessoas disserem, ok? Afinal, é a percepção delas e você não pode fazer nada além de receber, agradecer e aprender com isso.


    5. Lembre-se: Essa lista é sua amiga.

    Da próxima vez que você começar a se sentir um idiota, que não tem valor, que não presta mesmo, que não merece nada, que não irá conseguir, releia sua lista.

    Peço, então, que a deixe num lugar de fácil acesso, de repente no seu criado mudo ou grudada no espelho do seu banheiro ou na porta da geladeira.

    Ela é um lembrete positivo da realidade e não de uma fantasia. Você pode ter repetido para si mesmo todos esses pensamentos negativos por anos, mas também pode perceber-se e introjetar em si os reforços positivos que encontrou a partir de sua lista. Repita-a, relembre-a, releia-a. E saiba que o que ali está escrito é verdadeiro, é real.

    Realmente espero que este artigo te auxilie de alguma forma em momentos difíceis. De todo modo, se você se lembrar de algum amigo que também esteja passando por situação semelhante, mande este artigo para ele. Também sugiro que envie para aquela pessoa que exige demais de você e dos outros a perfeição. Talvez ela precisa conhecer essas palavras que estão escritas aqui.

    Tanto um quanto o outro podem estar precisando encontrar seu amor-próprio. Isso fará bem a eles e a você. E, no final, você ainda poderá incluir essa característica em sua lista: “Eu me importo comigo e também com os outros”.

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