• Será que Terapia faz mesmo efeito?
    Por Alenne Namba

    Hoje fiz um atendimento muito interessante. O paciente chegou bastante irritado, péssimo (em suas próprias palavras) e ao final da sessão ele me disse: “Eu não sei como é possível mas só de ter falado tudo isso para você, eu já estou me sentindo tão melhor. Já não estou mais com o nó na garganta.”

    Eu sou muito suspeita para falar, porque simplesmente vejo Freud como um gênio. Essa história de “cura pela palavra” é uma descoberta sem igual. (Caso você queira entender melhor como tudo começou, sugiro que assista aos filmes Jornada da AlmaUm Método Perigoso e Freud Além da Alma).

    Confesso que já ouvi de uma tia: “Mas você largou seu emprego público para ficar ouvindo as pessoas falarem de seus problemas?” Não… Eu não larguei meu cargo público para ouvir as pessoas falarem de seus problemas. Eu não vejo o conteúdo trazido por meus pacientes como um problema. Há muito, mas muito mais por trás disso.

    Também já ouvi: “Ah, mas se eu quiser falar com alguém, eu falo com meus amigos. É de graça e dá no mesmo.” Ou: “Eu não vou ficar falando da minha vida para um estranho.” Ou mais contundente ainda: “Se você tem problemas, tem de aprender a lidar com eles sozinho.”

    De fato, a Psicanálise (ou cura pela fala) pode ser reconhecida como um processo em que o paciente só fala, fala, fala. E se já vivemos numa sociedade em que todo mundo já está cansado de falar sobre si, que papel a Psicanálise teria nos dias de hoje? Muitos podem assim perguntar.

    Sendo assim, proponho um novo codinome para a Psicanálise. E se ao invés de lhe apelidarmos de cura pela palavra, sugerisse outros nomes que traduzem bem o que ocorre durante uma sessão?

    Você pode escolher o que preferir:

    – cura pela consciência;

    – cura pelo despertar;

    – cura pelo enriquecimento interior;

    – cura pelo aprendizado;

    – cura pela experiência;

    – cura pela inspiração;

    – cura pela contemplação;

    – cura pelo insight.

     

    Faça sua escolha, mas já te adianto: Psicanálise é isso e ainda mais. Mas se fosse para eu escolher uma delas, talvez me visse forçada a escolher cura pelo insight. E por quê?

    Porque a Psicanálise te ajuda a experimentar insights sobre seus comportamentos, pensamentos, sentimentos, padrões, falas, atos falhos e muito mais. E o que você aprende não se resume só a você. Você ganha uma visão mais ampla sobre os outros e de como a interação com eles ocorre.

    Não importa se o que te traz ao consultório é o estresse, a tensão, a ansiedade, a depressão, problemas em família, baixa autoestima; o que importa é que você esteja motivado para fazer a mudança acontecer.

    E como essa mudança ocorre? Num ambiente de apoio, sem julgamentos, sem preconceitos, sem moralismos. Neste ambiente seguro você poderá clarear suas ideias, reconhecer seus padrões negativos, fortalecer os padrões positivos e expandir seu repertório de ações conscientes. Você vai aprender a pensar por si mesmo, sem que ninguém te diga o que você deve ou não fazer. Você vai acalmar sua mente, sua vida e reduzir o medo do desconhecido. Você vai atingir certos insights sobre si mesmo que nunca sequer imaginou. E meus pacientes não me deixam mentir.

    Mas nem tudo são flores. É preciso alertá-lo de que o ritmo é lento, mas constante. Digo isso porque é muito mais fácil escolher a Terapia da Pílula. Com ela você é levado a crer que seus problemas acabaram e que o resultado é mágico. Mas sinto em lhe informar que é preciso estar desperto para que você consiga mudar o que se passa aí dentro. E a pílula é muito boa em te anestesiar.

    Portanto, se você se decidir pela cura pela palavra, cura pela consciência, cura pelo insight, saiba que o caminho é longo, mas que ao final você estará de olhos bem abertos e enxergando muito mais cores.

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  • Confie: o amor irá chegar quando você estiver realmente pronta
    Por Alenne Namba

    Se tem uma coisa que aprendi com a vivência na clínica é que o amor irá chegar quando você estiver pronta.

    Ei sei que parece uma lição piegas e banal, mas não é.

    Já atendi tanto mulheres que levaram mais de um ano para reconhecer dentro de si o que precisava ser transformado, quanto mulheres que num rápido processo de Coaching Afetivo conseguiram dar a volta por cima, quanto mulheres que mesmo depois do processo e de terapia ainda estão buscando respostas.

    Fato é que aquelas que estão aptas a reconhecer o amor lá fora, precisaram estar aptas a reconhecerem o melhor de si antes.

    E é por isso que decidi escrever este artigo. Para mostrar que, cedo ou tarde, breve ou longo o caminho, você conseguirá chegar ao amor verdadeiro. Mas, antes, precisará chegar dentro de si e encarar alguns lugares sombrios nessa trajetória.

    Se você perdeu um amor, saiba que outro poderá surgir quando você conseguir seguir em frente

    Se você perdeu um amor, talvez esteja se sentindo incapaz de amar de novo. Talvez você pense que será muito difícil seguir em frente. Talvez você esteja se perguntando com poderia ter sido se você (ou ele) não tivesse agido assim ou assado. Mas, acredite, isso não vai te levar a lugar nenhum. Não para o lugar para onde você quer ir: o futuro.

    Não há como negar. Reerguer-se depois de um rompimento de fato não é fácil, mas é preciso reunir forças para levantar, sacudir a poeira e tomar novamente seu caminho. Não é porque relacionamentos chegam ao fim (isso é mais do que normal) que todos os relacionamentos são fadados ao fracasso (já ouvi muito isso no consultório).

    Há sempre lições a serem aprendidas se você se decidir por encarar o que aconteceu. Nada como as experiências passadas para nos fazer compreender nossas fraquezas, nossos limites, nossos padrões e também nosso potencial. Não há nada mais importante agora do que aprender com essa situação a fim de torná-la útil de alguma forma.

    Se você não aprender nada, você seguirá cometendo os mesmos erros e fortalecendo os mesmos padrões que sempre te fizeram sofrer. E imagino que não seja isso o que você tem em mente, é?

    O amor vai aparecer quando você alinhar suas expectativas

    Tenho certeza de que você já sabe disso, mas não custa nada reforçar: nenhum relacionamento futuro será exatamente igual aos anteriores. Mesmo que você se reconcilie com seu ex, nem você nem ele já não serão mais os mesmos e muita coisa terá mudado de lá para cá.

    Mas isso não é necessariamente ruim. E por quê?

    Na clínica tenho contato com diversas mulheres que sofreram muito no passado por conta de relacionamentos tóxicos. Elas foram se deixando envenenar por um, por outro, por mais outro, até que conseguiram perceber o padrão. Mas, após reconhecerem em si o que estavam fazendo, como estavam agindo, conseguiram definir o tipo de relacionamento que buscavam e conseguiram mais ainda, conseguiram comparar com os relacionamentos passados. E adivinhe… Eram tipos de relacionamentos totalmente opostos.

    O que elas viveram no passado era o oposto ao que desejavam no futuro. E te digo o porquê: porque conscientemente elas sabem o que querem, mas suas ações em busca do relacionamento tóxico são inconscientes. Suas expectativas reais conflitavam com suas expectativas em fantasia. Foi preciso realinhá-las.

    Isso leva tempo e precisa de dedicação. Não há varinha mágica, não há pirlimpimpim. Talvez seja melhor você gastar seu tempo buscando alinhar essas expectativas ao invés de ficar sonhando acordada, chorando ou comparando seus relacionamentos passados com uma fantasia futura.

    O amor vai surgir quando você recuperar o amor pela vida

    Essa é uma máxima em meus atendimentos: é preciso antes se amar para depois conseguir amar alguém. E no meio desse caminho surge o próprio amor pela vida em si.

    Amar alguém realmente é muito bom, é maravilhoso. Mas é apenas uma das milhares de experiências que você irá passar pela vida. É preciso estar com os olhos e o coração abertos para o mundo, para o que está ao seu redor. Digo sempre: você não vai encontrar o amor enquanto estiver assistindo um filme sozinha dentro de casa. Não, sinto muito, não vai.

    O que acha de, ao invés de gastar seu tempo reclamando ou desejando que as coisas sejam assim ou assadas, você se responsabilizar por criar novas experiências, novas memórias? Faça algo, saia de casa, matricule-se num curso de culinária, num curso de vinhos, numa aula de dança de salão. Veja gente, sorria, cante, ande de patins, caia de bunda no chão, gargalhe. Curta o sol no seu rosto enquanto dá uma corrida no parque, tome uma água de coco, puxe uma conversa sem intenções com um desconhecido ou uma desconhecida. Viaje, viva.

    Não fique esperando viver tudo isso ao lado de um grande amor, apenas vá lá e faça. Quando você começa a recuperar seu amor pela vida, você estará pronta para encontrar alguém que queira compartilhar desses mesmos interesses com você. Fazer o que você ama lhe permite conhecer pessoas que simplesmente querem estar ao seu lado, como amigos ou como companheiro.

    E por último e mais importante: o amor vai surgir quando você não precisar dele para sobreviver

    Quando você está com alguém, muitas vezes se esquece de viver sua própria vida. Você acredita que o casal se torna uma coisa só e que um precisa do outro.

    Vocês passam todos os fins de semana juntos, vocês viajam sempre juntos, vocês não assistem as séries de TV se o outro não estiver ao seu lado. Você não pode conhecer aquele restaurante novo sem ele, pois na sua cabeça o estará traindo. Você não pode sequer olhar um bonitão na rua e elogiá-lo mentalmente… Quem dirá seu companheiro! Você o mata se sonhar que ele faz isso!

    Quando estamos com alguém, muitas vezes nos esquecemos que nascemos e morremos sozinhos. Ou seja, somos indivíduos e temos, portanto, nossa identidade própria.

    Estar sozinha é uma ótima oportunidade de descobrir qual é essa sua própria identidade, descobrir quem de fato você é. E tudo aquilo que eu falei no tópico passado pode te ajudar nisso. Experimente, viva coisas novas. Assim você saberá do que gosta e do que não gosta, do que aceita e do que não aceita, do que tem medo e do que não teme se arriscar.

    Não é justo nem com você nem com o outro esperar que um faça o outro feliz. Isso não existe. Quem te faz feliz é você mesma. Essa responsabilidade não é de mais ninguém. É excelente viver ao ladinho de um amor, mas também é excelente se dar conta de que é tão maravilhoso quanto viver como um indivíduo.

    Então, recupere-se primeiro como indivíduo e só depois você verá que estará pronta para colocar alguém aí dentro do seu coração. Se for procurar esse amor em algum lugar, comece procurando aí dentro. E não tenha pressa, pois o caminho pode ser longo.

     

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  • O que sua roupa diz sobre você?
    Por Alenne Namba

    Há algum tempo atendi uma coachee que, dentre outras questões, estava em busca de se dar uma chance para encontrar um novo amor. Ela já passava dos 50 anos, mas não havia desistido de si mesma. Muito pelo contrário, eram muitos os seus projetos de vida após a aposentadoria que estava chegando.

    Durante nossos encontros, ela relatava a necessidade de transformar seu guarda-roupa, pois há muitos anos havia se fechado e não possuía mais roupas adequadas para sair. Seu estilo até então era de uma mulher que se vestia somente para trabalhar, pois esse havia sido seu foco ao longo da vida. E agora ela não se enxergava mais naquele guarda-roupa. Ela agora estava mais alegre, mais aberta e gostaria que isso também se refletisse não só num novo relacionamento, mas também num novo estilo pessoal, um estilo agora transformado e condizente com a forma como se sentia internamente.

    Achei muito interessante ela ter feito essa ligação entre sua nova forma de se sentir internamente e o desejo de mudar também o guarda-roupa. Vi ali, na prática, que nosso externo reflete nosso interno todo o tempo e que muitas pessoas se percebem cindidas, como se houvesse uma desconexão entre uma coisa e outra.

    Quantas vezes já ouvi isso: “Alenne, eu me vejo de uma forma, mas não é isso que consigo transmitir aos outros. Vejo que as pessoas me enxergam como uma pessoa que não sou.”

    Como isso é comum… Muito comum…

    Mais uma vez, ali no consultório, havia visto em primeira mão como o estilo pessoal, a forma de se vestir, também era uma ferramenta poderosa na melhora da autoestima e da autoimagem.

    É claro que existem milhares de formas de aumentar seu amor-próprio e nenhuma é melhor ou mais eficaz do que a outra. Na verdade, elas se complementam e, por isso, vale a penas explorá-las ao máximo. E, certamente, uma delas é o que minha própria coachee me mostrou: alinhar o seu guarda-roupa com quem você realmente se enxerga internamente. Mas como fazer isso sem cair nas armadilhas do mundo fashion?

    #1

    Mudar sem se mudar

    Transformar seu modo de se vestir pode afetar como você enxerga seu corpo, mesmo que seu corpo continue do mesmo jeitinho. Você pode, por exemplo, usar uma roupa que trabalhe seus pontos fortes ao invés de escondê-los. Você pode destacar suas curvas, suas pernas grossas, sua cintura, seu colo bonito. Encontrar seu estilo passa por aceitar o que você tem hoje e enxergar o que você tem de lindo agora. Não é a roupa que irá mudar você. É trabalhar seu estilo em cima do que você é hoje que irá mudar a forma como você se relaciona com seu corpo para melhor.

    #2

    O poder da escolha

    É você quem irá escolher como se vestir e como cuidar de seu corpo. É você que irá decidir como irá mostrar-se para aqueles com quem se relaciona. Lembra da frase que ouço com frequência? “Alenne, eu me vejo de uma forma, mas não é isso que consigo transmitir aos outros.” Pois é, conhecer seu estilo é mais uma oportunidade de transmitir informações importantes sobre si mesmo para o mundo. Você pode transmitir criatividade, sobriedade, equilíbrio, diversão, singularidade, confiança. O que você deseja destacar em si mesmo? Essa escolha é só sua.

    #3

    Transmitindo respeito por si mesmo

    Uma das maneiras mais fáceis de transmitir respeito por si mesmo é vestindo-se com cuidado. Há muitos anos atrás, assistindo o programa Esquadrão da Moda, ouvi a apresentadora dizer que usar cinto era sinônimo de respeito consigo mesmo. Comentei essa fala com minha irmã na frente de meu cunhado e ele ficou zombando de mim, porque não via ligação de uma coisa com outra. Mas eu vi. Não é o simples fato de usar ou não usar o cinto. É mais profundo do que isso. Utilizar um acessório é um dos primeiros níveis para transmitir uma informação sobre si mesmo. Encontrar algo que se encaixa com você, vestir-se com cuidado, atentar-se aos detalhes, mostra que você é capaz de direcionar um olhar cuidadoso para si mesmo. Quando nos vestimos para mostrarmos respeito e esmero por nós mesmos, não estamos transmitindo algo ao mundo também, não estamos transmitindo autoconfiança? Se você espera que os outros te respeitem, não é você que tem de demonstrar esse autorrespeito em primeiro lugar?

    #4

    A ligação entre aparentar bem e sentir-se bem

    O ciclo do distanciamento de si próprio está indissoluvelmente ligado ao ciclo da autonegligência. Você se sente mal, veste-se mal, sente-se pior ainda, veste-se mais desleixadamente ainda e por aí vai. Quem nunca fez isso num dia ruim?

    Se você sente que precisa fazer essa transformação interior/exterior precisa entrar no ciclo do cuidado próprio e do amor próprio. Olhar no espelho pela manhã e encarar seus defeitos assim como suas qualidades pode ser um primeiro passo. Quanto mais você se esforçar em sentir-se bem, mais irá aparentar bem e vice-versa. Mas lembre-se: não estou falando de um esforço superficial, como alguns métodos por aí ensinam (repita frases positivas e você será uma pessoa positiva). Não, não é nada disso. Estou falando de você reconhecer em si mesmo seus pontos fracos e fortes, encarar a realidade em si e, nem por isso, esconder-se do mundo nem de si mesmo.

    Olhar para dentro de si é o que fará você se movimentar para frente. Cuidar da saúde, do visual, da própria casa, de suas coisas pessoais, tudo isso é um sinal de que você se importa com o que é seu. E isso também é sinal de autoestima. E aí você perpetua o ciclo do cuidado próprio e do amor próprio, emitindo assim autoconfiança e autorrespeito ao mundo. E isso é muito poderoso.

    Por fim, é importante que você saiba que sozinho ou com a ajuda de um profissional, qualquer um pode usar o estilo pessoal como uma ferramenta de elevação da autoestima. Não importa sua idade, seu peso, suas formas, você pode aprender a embelezar-se ainda mais alinhando-se com sua beleza interior. E quando você fizer isso, não precisará mais se preocupar com como os outros estão te enxergando. Digo isso, porque, sem dúvida, estarão enxergando exatamente o que você está querendo transmitir: eu me amo, eu me respeito, eu me cuido.

    * Este artigo faz parte da coluna que escrevo para a Consultora de Imagem e Estilo, Kellen Amorim, em seu site Dress You Up. Se você quiser ter acesso a informações ricas e direcionadas à autoestima feminina sem cair nas armadilhas dos modismos, você precisa conhecer seu belo trabalho. Acesse www.dressyoup.com.br.
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