• psicanalise brasilia
    O risco de ser atendido por terapeutas “frankenstein”
    Por Alenne Namba

    Hoje li numa rede social a divulgação dos serviços de uma pessoa que se oferecia para tratar das questões emocionais e de relacionamento de mulheres que estivessem necessitando de ajuda.

    Como conheço a pessoa, inclusive algumas das suas questões emocionais, fiquei paralisada.

    E por que fiquei paralisada?

    Porque é impressionante como nossa sociedade acredita ser aceitável uma pessoa sem nenhuma formação na área da psique humana tratar de outrem sem estar devidamente preparado para o ofício. Neste caso específico, as mudanças na vida da pessoa em questão, que agora a impossibilitam de prestar os serviços para os quais está devidamente preparada, a fizeram lançar um novo serviço a fim de continuar no mercado. E este lançamento é justamente tratar das questões emocionais de suas clientes! Serviço totalmente dissonante de sua experiência e de sua preparação profissional.

    Para aqueles que não conhecem as nuances do meio psicanalítico e das demais terapias, realmente é difícil discernir o que pode ser considerado charlatanismo ou não. Mas é inaceitável alguém sem conhecimento teórico e, mais importante, sem ter passado pela própria análise pessoal considerar-se um tipo “frankenstein” de terapeuta.

    Isso não apenas pode ser considerada uma ação irresponsável, como também desumana, pois um processo terapêutico sendo utilizado por um despreparado é tão prejudicial quanto um bisturi nas mãos de um leigo. O resultado pode ser extremamente destrutivo, podendo deformar o psiquismo do paciente, ao invés de propiciar uma maneira positiva de lidar e até mesmo de libertar-se de suas enfermidades mentais.

    Quando decidi me tornar psicanalista, por exemplo, eu tinha muito claro dois pontos cruciais:

    1. Eu tinha descoberto meu talento para ouvir e meu desejo em auxiliar os outros. Não foi uma escolha financeira. Definitivamente, não.

    2. Eu sabia que a formação era extensa, difícil e demorada e deveria estar preparada para passar por tudo isso.

    A Psicanálise exige que o aspirante a psicanalista cumpra o tripé determinado por Freud (o criador da Psicanálise), cujos fundamentos são estudo da teoria, supervisão clínica e análise pessoal. Esta última, tendo de ser levada a cabo por anos. Ou seja, não é na prática da clínica que se dá o essencial na formação de um analista, mas sim enquanto ele é colocado na posição de analisando, de paciente. É somente durante essa análise pessoal que se adquire a experiência necessária para o ofício de terapeutizar.

    E não estou falando aqui de sentir-se preparado para “entender” o paciente, uma vez que já tenha vivido o que ele vive hoje ou que se tenha o sentimento de que já passou pelo que ele passa hoje. Essa definitivamente é uma forma muito superficial e leviana de enxergar a importância de uma análise.

    Trata-se sim de, como diz o próprio Freud, enxergar a análise como um meio de cura pelo amor e não por necessidades financeiras ou mercadológicas. Lidar com a saúde mental das pessoas não é para qualquer um e sim para quem percebe o quanto o preparo profundo é essencial para a prática em si.

    Sinto um profundo pesar por encontrar no mercado pessoas dispostas a tomar as questões emocionais de pessoas do bem como meios de teste para suas práticas duvidosas. É realmente uma pena.

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  • emocoes
    7 Mitos sobre suas emoções que barram seu crescimento
    Por Alenne Namba

    Embora nos dias atuais nossa sociedade esteja muito mais aberta para discutir assuntos relacionados às emoções, nossas discussões ainda se encontram numa fase bastante embrionária.

    Costumo dar o seguinte exemplo em meu consultório para esclarecer o que estou dizendo. Quando você é criança e machuca o joelho numa queda da bicicleta, você sabe que será preciso lavar o local e passar um remédio. Por mais simples que seja essa situação, qualquer crianças tem uma leve noção de como proceder.

    Mas quando se trata de machucados emocionais, nós nunca fomos ensinados sobre que atitude tomar, muito menos nossos pais sabiam exatamente o que fazer. Na maioria das vezes as frases mais faladas por eles eram semelhantes a: “Se a vida lhe dá mil motivos para chorar, dê a ela mil e um motivos para sorrir”, “Esqueça esse assunto, vá procurar o que fazer”, “Não chore, amanhã será outro dia”, e por aí vai.

    A maioria de nós nunca foi instruída sobre como agir em relação aos nossos sentimentos. O máximo que conseguimos ao longo da vida foi aprender como agir de modo socialmente aceito, observando os outros ao nosso redor. O problema é que assim como nós, essas pessoas também não sabem como lidar com as próprias emoções e, por isso, muitos equívocos surgem.

    Decidi, portanto, listar 7 mitos sobre suas emoções responsáveis por barrar seu crescimento:

    1. Eu sei que não deveria sentir isso.

    Quantas vezes você não disse frases como: “Eu sei que eu não deveria estar tão chateada com algo tão pequeno“, ou “Eu realmente deveria ser feliz com o que eu tenho hoje.

    Entretanto, não existem regras que determinam se sua reação emocional perante alguma situação é certa ou errada. Isso é totalmente pessoal, porque cada fato tem um significado diferente para cada pessoa.

    Então ao invés de ficar desperdiçando sua energia se questionando se está sentindo certo ou não, aceite essa emoção e reconheça que, em novas ocasiões, você poderá sentir diferente.

     

    2. Eu não posso controlar o que eu sinto.

    Mesmo que suas emoções façam total sentido para você naquele momento, isso não significa que você tenha de ficar preso numa forma particular de sentir. Ao contrário, você pode optar por fazer modificações na sua forma de pensar e na sua forma de agir que irão influenciar a maneira que você irá reagir emocionalmente às situações.

     

    3. Controlar minhas emoções é me comportar como um robô.

    Às vezes as pessoas pensam que regular suas emoções significa agir como se não tivessem sentimentos. Mas isso não é verdade. Se você consegue ter uma visão mais realista das emoções, você terá mais capacidade de experimentar sentimentos mais alinhados com o fato em si, talvez até mais equilibrados.

    Depois de um dia difícil no trabalho, por exemplo, é possível escolher fazer algo que te faça se sentir melhor, ao invés de se manter mau humorado. Essa é uma habilidade bem saudável e não tem nada a ver com o comportamento de um robô.

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    4. Algumas pessoas têm o poder de me tirar do sério (ou de me levar ao céu).

    Você pode ser daquelas que vivem dizendo que seu chefe te deixa louca ou que sua mãe te faz se sentir tão inferior ou que até mesmo seus filhos te fazem se sentir tão culpada.

    Mas, na realidade, ninguém tem o poder de te fazer se sentir assim ou assado. Esse poder está em suas mãos. Sim, essa responsabilidade é sua. Não adianta querer jogar essa bomba nas mãos de ninguém. Você é o único responsável por suas emoções.

     

    5. Eu não consigo lidar com emoções ruins.

    Quando vejo pessoas dizerem que não são capazes de tolerar certas emoções, geralmente também percebo que são pessoas que fogem de certas situações.

    Pessoas, por exemplo, que são extremamente perfeccionistas não costumam arriscar, pois temem fracassar. Pessoas que temem dizer o que sentem, por medo da não aceitação do outro, também evitam resolver pendências com aqueles com quem se relaciona.

    Mas aprender a lidar com emoções desconfortáveis é a faísca necessária para a construção da autoconfiança. Quando você se permite passar por situações incômodas, você amplia sua zona de conforto e desenvolve novas habilidades de comportamento que antes você nem imaginava possuir.

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    6. As emoções negativas são ruins.

    Nós tendemos categorizar as emoções como sendo boas ou ruins. Mas (essa é novidade para você) os sentimentos em si não são positivos ou negativos.É o que nós escolhemos fazer com essas emoções que pode ser considerado bom ou ruim.

    Quer um exemplo? A raiva muitas vezes é encarada como uma emoção negativa. Entretanto, enquanto muitos fazem escolhas horríveis quando estão com raiva, outros optam por agir proativamente na direção oposta daquilo que originou a raiva. Ou seja, muitas mudanças positivas que ocorrem na nossa vida foram disparadas justamente pela raiva ou por outra emoção considerada ruim. Faça um esforço e irá se lembrar de pelo menos uma vez que isso aconteceu com você.

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    7. Demonstrar minhas emoções é um sinal de fraqueza.

    Antigamente eu até arriscaria dizer que isso se aplicaria melhor aos homens, mas hoje tanto homens quanto mulheres tendem a viver uma vida tão racional e tão autossuficiente que esse mito certamente se aplica a qualquer um.

    É claro que em alguns ambientes e perto de certas pessoas realmente é prudente tomar mais cuidado ao demonstrar suas emoções. Nesses casos, elas podem ser mal interpretadas. Mas, no geral, é justamente quando você mostra o que está sentindo que deixa aparecer sua força interior.

    Ou seja, deixar transparecer seus verdadeiros sentimentos é estar consciente deles. E isso é sinal de força. São poucos os que desenvolvem essa consciência de si e que compreendem suas emoções, afinal não somos ensinados a pensar sobre nossas emoções.

    O fato é que, assim como a maioria das habilidades da vida, praticar essa capacidade de reconhecer, tolerar, regular e aceitar suas emoções fará com que você amplie sua consciência emocional e se sinta mais forte e seguro para seguir em direção ao caminho que deseja para si.

     

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  • pensamentos negativos
    Transforme pensamentos negativos em atitudes positivas
    Por Alenne Namba

    Você já deve ter ouvido falar naquele ditado que diz: “Não se pode ensinar truques novos a um cachorro velho”. O que você acha? Concorda com o velho ditado?

    Pois é. Nem só esse ditado é falso, como a própria ciência tem demonstrado que o cérebro é muito mais plástico, muito mais maleável do que jamais pudemos imaginar. É possível sim desenvolvermos novos relacionamentos, estabelecermos novas formas de nos comunicar, criarmos novas habilidades. E isso em qualquer idade.

    Uma das ferramentas que utilizo no meu processo de Coaching faz exatamente isso. Ela permite minimizar e até mesmo anular aqueles pensamentos negativos que já são automáticos na nossa vida e que prejudicam nossa capacidade de pensar em soluções criativas e recepcionar novos caminhos neurais mais positivos.

    Muitas vezes você pode acreditar que suas experiências no passado determinarão fatalmente o seu futuro. Mas essa é uma idéia falsa. Como já falei, a ciência já demonstrou a plasticidade do cérebro e da possibilidade de nos mudarmos, de nos transformarmos constantemente, a qualquer momento.

    Então nada de acreditar nesse tipo de distorção cognitiva:

    Ah, se eu não fui capaz de fazer isso até hoje é porque não vou conseguir fazer nunca.”

    Justamente porque eu agi assim no passado, eu não sou capaz de criar essa situação futura que eu tanto desejo.”

    Não, não, não.

    Então separei para você 3 técnicas que irão ajudá-lo a mudar esses pensamentos e sentimentos doloridos, possibilitando a auto-investigação e o exame de crenças que te mantém preso nesse ciclo vicioso.

     

    Técnica #1

    Investigue seus pensamentos prejudiciais

    Quando esses pensamentos prejudiciais surgirem, pare, observe atentamente no que está pensando e se pergunte:

    “Isso é verdade?”

    Você pode tanto chegar à conclusão de que é verdade quanto de que é mentira. Ok. A questão é você compreender que os extremos de pensamento são, em grande parte, distorções.

    Então se surgirem as palavras “nunca” ou “sempre” na sua resposta você deve acender o sinal de alerta, bem forte, porque provavelmente estará usando uma distorção.

    Tente usar a lógica e analise a situação partindo de um cenário em seu pior caso. Depois pense no melhor cenário. E, por fim, pense em um cenário intermediário ou mais provável.

    Esta técnica irá ajudá-lo a perceber que o pensamento prejudicial em si não é o pior, mas pensar que não existem outras possibilidades, isso sim te coloca numa prisão.

     

    Técnica #2

    Substitua o pensamento prejudicial por outro positivo

    É claro que não é fácil colocar essa técnica em prática. O ideal é poder contar com o trabalho de um profissional para auxiliá-lo. Mas você pode começar a treinar essa habilidade.

    No início haverá resistência, claro, afinal seus caminhos neurais estão viciados. Mas uma forma de contornar essa resistência é trocar algumas palavras dentro desse pensamento prejudicial. Quer um exemplo?

    Você pode pensar: “Está muito difícil encontrar o amor da minha vida.”

    Mas você pode remediar essa situação trocando algumas palavras: “Eu estou fazendo de tudo para atrair o homem certo para mim. Eu estou lendo livros, eu estou conhecendo pessoas diferentes, eu estou fazendo um processo de Coaching Afetivo ou uma terapia…”

    Você não fez uma substituição totalmente contrária como “É fácil encontrar o amor da minha vida.” E eu realmente não acredito que essa troca traria resultados efetivos, simplesmente porque não é verdade.

    Mas ao trocar algumas palavras, você busca enxergar a situação por outro prisma, também de forma verdadeira. É verdade que é difícil encontrar o amor verdadeiro, mas também é verdade que você esteja fazendo tudo o que está ao seu alcance.

    Sendo assim, seu sentimento negativo é amenizado ou até anulado. E a partir daí percebe que é possível sim criar pensamentos mais saudáveis, tão verdadeiros quanto, e que são capazes de reprogramar seus caminhos neurais em direção a sentimentos mais positivos.

     

    Técnica #3

    Reforce os novos pensamentos positivos

    Depois que conseguir criar esse novo caminho neural, esse novo pensamento positivo, lembre-se de repeti-lo sempre que aquele pensamento negativo ameaçar aparecer. Repita em silêncio mesmo, mas repita.

    Assim como criamos e reforçamos ao longo da vida o ciclo de pensamentos negativos, também podemos fazer o mesmo com o oposto.

    Seu fluxo mental começará a mudar e o curso dos seus pensamentos se mostrará muito mais saudável.

    Quer tentar? Comece a utilizar essas técnicas hoje e depois volte aqui e me diga como tem se saído.

     

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